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Violência Obstétrica é crime!

barrigaHá um tempo vimos discutindo a angústia que passamos quando acompanhamos mulheres durante a gestação. Emponderando e orientando seus sonhos, caminhamos juntas para o momento do parto, e por vezes, presenciamos a dor sem sermos parturientes, mas com elas e por elas. A tão falada por nós, discutida por poucos e desconhecida de muitos: a violência obstétrica.

Violência é sentir-se machucada, traída, desonrada. Violência obstétrica é sentir-se incapaz diante do seu corpo, subjugada, traída pelo profissional que proferiu um juramento, marcada com a carga de uma vida nascida sob condições desumanas.

Não é radicalismo de uma parcela da população tida como “xiita do parto” (até porque desconhecemos essa fatia social), muito menos briga de categorias, é a realidade no nosso país, e que está escondida sob o véu da ignorância, aliada às maravilhas tecnológicas das maternidades privadas e somada à hegemonia da opinião médica tecnocrata (que felizmente não é totalitária).

Infelizmente essa violência acontece pelo fato de que muitas mulheres perderam a capacidade natural de protagonizarem seus corpos, seus partos e sensações. Logo, para prevenir, é preciso auto-conhecimento, saber como funciona o corpo, e seu processo de gestar e parir.

Para ilustrar algumas destas violências, baseada inclusive na nossa experiência enquanto doulas e enfermeira obstetra, listamos abaixo, explicando de forma sucinta, o porquê de assim serem:

  • Episiotomia: Corte no períneo, realizado com a falsa finalidade de alargar o canal de parto.
  • Colírio (nitrato de prata): Deve ser utilizado se, e somente se, a mulher for portadora de gonorreia, para fins de prevenção no recém nascido. Não fazendo o menor sentindo quando a via de parto é a cirurgia de cesárea nem quando a mulher comprova não ter gonorreia.
  • Manobra de Kristeller: Ter o ventre empurrado para baixo com a falsa finalidade de ajudar a expulsar o bebê, sem levar em consideração o momento da contração e vontade fisiológica de fazer força, o que poderá acarretar em lacerações terríveis no períneo, ruptura uterina, hemorragia e até morte fetal. O que poderia contribuir de fato, nesse caso, seria “permitir” que a mulher encontrasse uma posição para o momento do expulsivo, que privilegiasse a verticalização;
  • Tração manual de placenta: Ter o cordão umbilical puxado abruptamente após a saída do bebê, para que se dê a expulsão da placenta de forma mais rápida, sem levar em consideração que a expulsão da placenta é a última fase do parto e deve acontecer naturalmente, evitando complicações de restos placentários e o risco de infecção;
  • Imposição de posição supina durante o parto (de barriga pra cima): A posição para o período expulsivo do parto, deve ser a posição que a gestante achou a mais confortável e, via de regra, essa posição não contribui para a descida do bebê, uma vez que o movimento de saída do bebê encontrará a própria estrutura óssea como barreira e estará contra a lei da gravidade;

Existem tantas outras, e podemos discuti-las em outras oportunidades. O importante é divulgarmos que existe sim violência obstétrica, e que precisamos entendê-la, denunciá-la e nos defendermos !

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2 0 190 05 setembro, 2013 Filhos setembro 5, 2013

Sobre o Autor

Somos: Tanila Glaeser – Enfermeira Obstétrica, Graziele Duda – Doula e Consultora em Amamentação e Karine Helmer - Doula e Consultora em Amamentação. Juntas somos a equipe Zalika – Maternidade, parto e infância. contato@zalika.com.br www.facebook.com/zalikaface

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